Nos últimos meses - ao abrigo de uma suposta renaturalização da Ria Formosa, que entretanto não é clara nos seus objetivos e procedimentos - temos vindo a assistir a um conjunto de demolições de casas nas ilhas barreira da Ria Formosa, bem como à notificação dos moradores para que desocupem as casas para as próximas demolições. Trata-se de um atentado a povoamentos que foram sedimentando ao longo dos tempos identidades, sociabilidades e relações históricas e simbólicas particulares (de cultura, de trabalho, de lazer) com a Ria e com os núcleos urbanos limítrofes, especialmente com Olhão.
A concelhia do Bloco de Olhão defende a imediata suspensão das demolições, a reavaliação do POC e a clarificação do projecto de renaturalização das ilhas-barreira, o que se liga ao necessário planeamento, reabilitação e revitalização das áreas construídas, ao impedimento do alargamento das zonas de construção e à demarcação de áreas naturais ligadas à investigação, preservação e educação ambiental.