Já sabemos que estar com o Bloco é sentir o calor dos encontros e experimentar o que é a confiança verdadeira de quem não abdica de princípios gerais de autonomia e liberdade de pensamento fundados nos valores da esquerda e da democracia participativa, na defesa dos direitos constitucionais, da justiça social e do significado real do desenvolvimento sustentado e equilibrado – é um espaço de troca e de fundamentação de opiniões, é um espaço de crítica, de análise e de capacidade de reformulação quando é objectivamente preciso, damos sentido à memória e lembramos todas as lutas, contestamos e apresentamos propostas para solucionar os problemas, vamos de encontro às pessoas e com as pessoas resistimos e projectamos mudanças, não desistimos por mais difíceis que sejam os desafios… porque se conta com todos e com todas e porque na realidade queremos e podemos construir novos caminhos!
Foi também assim no almoço. A emoção e a razão andaram de braço dado. Para além das conversas informais, vieram depois os discursos – a necessidade de um bloco mais forte para uma esquerda mais forte!
Primeiro os agradecimentos em nome da organização e a satisfação de podermos contar com os que vieram, mas também com os que não puderam vir. Alcindo Norte, activista local e membro da concelhia de Olhão. Depois o balanço da luta autárquica e dos novos desafios que se colocam para a região: centralidade da defesa ecológica e económica da nossa Ria Formosa em risco de alienação patrimonial, pelo que se lançou o desafio de preparar transversalmente acções de projecto e de luta. Mónica Neto, deputada do BE na Assembleia Municipal de Olhão e membro da concelhia. Seguidamente a articulação com o Parlamento e com a Europa e a necessidade de continuar e reforçar o trabalho na proximidade com as populações - luta contra a austeridade, defesa da dignidade no trabalho, reestruturação da dívida como bandeira antiga do bloco cada vez mais evidente e reconhecida como estratégia para que no sul se juntem forças que obriguem a que se restitua solidariedade e justiça social a um projecto europeu que se tornou centralista, autoritário e adepto da reprodução de poderes e de interesses. Cecília Honório, deputada do BE pelo Algarve na Assembleia da República. Por fim, o retrato da situação actual do país – o caso recente dos “despedimentos” na segurança social; a centralidade ideológica na questão do pagamento a todo o custo da dívida, sem a devida auditoria e garantia de legitimidade; o desastre da imposição das políticas de austeridade e empobrecimento; as sucessivas alterações ao código de trabalho e a constante destruição do Estado Social, atentados aos direitos e à dignidade da qualidade da vida humana; a promiscuidade entre os interesses políticos e económico-financeiros que extremaram as desigualdades, enfraqueceram a democracia e impulsionaram a corrupção e a criminalidade relacionada com a gestão, facto que não se pode desligar de opções políticas a favor das privatizações ou das parcerias público-privadas e da inoperância do papel regulador do Estado. Também a apresentação de linhas de estratégia política que pretendem aprofundar convergências e comunicação com as forças vivas do meio local (populações, movimentos sociais, forças partidárias de esquerda, sindicatos), num caminho que é difícil para a consciencialização e prática da mudança, e que deve ser construído em conjunto, não esquecendo todavia a perspectiva da história recente (responsabilidades do passado, coerência e confiança nos percursos de resistência, alianças e pactos efectuados) que ajuda a compreender a crise do presente e a projectar alternativas e não alternâncias para o futuro. Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda Nacional.