Share |

CANDIDATURAS AUTÁRQUICAS PARA OLHÃO: DA REFLEXÃO QUOTIDIANA AO MOMENTO IMPORTANTE DA ESCOLHA

OLHÃO SEMPRE! - RESTAURAR A CONFIANÇA

CANDIDATURAS AUTÁRQUICAS PARA OLHÃO:

DA REFLEXÃO QUOTIDIANA AO MOMENTO IMPORTANTE DA ESCOLHA

 

“Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
 

Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
a paz, o pão, habitação,
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir”

SÉRGIO GODINHO

 

A liberdade de escolha é um factor crucial para decidir em consciência pela continuidade ou pela verdadeira mudança...

No entanto, só “há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação” e, nos momentos conturbados de crise generalizada em que nos encontramos, “a liberdade de mudar e decidir” é cada vez mais afectada por factores de política menor que se reproduzem nos bastidores – accionam-se antigos favores, trocam-se novos favores, recorre-se ao medo de se perder alguns privilégios ou direitos, compra-se a dignidade em prol da sobrevivência, das promessas de mobilidade e de segurança no emprego e no prestígio social, esvaziam-se os conteúdos dos programas e aposta-se massivamente na imagem, na idolatria unipessoal de quem quer continuar a mandar ou de quem pretende passar a mandar a sério, na atracção consumista da pequena oferta sem princípios, sem qualidade, em que a aparência de dar significará mais tarde a realidade de retirar (dos brindes aos bailes, das esmolas à música a metro, dos donativos aos eventos de entretenimento mediático, do imediato provisório do ter ao adormecimento passivo do ser).

“Só há liberdade a sério” quando a informação  se democratiza e se aprofunda, quando se aposta no enriquecimento cultural, quando o povo sentir que o seu trabalho é valorizado e esse valor reverterá em seu benefício como bem público, sem roubo nem minimização deliberada do estado social, quando na realidade a cidade e o concelho for de todos e servir todos, “quando pertencer ao povo o que o povo produzir”.

 

A maior parte das candidaturas autárquicas para Olhão entra no jogo institucionalizado da oferta política – captar votos a todo o custo, mascarando os verdadeiros interesses de poder ou seguindo a linha carnavalesca do “divertimento de barriga vazia” para esquecer o quotidiano difícil e violento:

- Uns espalham outdoors como cogumelos a preço de ouro (a oportunidade do investimento numa crise que não é deles), criando imagem de seriedade e de vigilância (gravatas de esperança; “olhar de monalisa” que nos persegue em todos os ângulos) e a aparência da mudança (“novos desafios” e “políticas para as pessoas” poderiam ser novidade se os rostos não fossem os mesmos, se a corte ultrapassasse a consanguinidade, se todos os golpes palacianos não fossem utilizados para mudar alguns tronos sem afectar a propriedade do castelo, se a plebe se esquecesse de toda a negligência e abandono);

- Outros, investindo em novos rostos decorativos ou em protagonismos antigos mas porventura já esquecidos, pretendem criar a ilusão de uma oposição informada e capacitada (utilizam o “preconceito da idade” para pessoalizar “a voz da experiência”; maquilham a independência em rostos que fizeram parte de oposições amigas do poder instituído e que partilharam caminhos e opções erradas de desenvolvimento) e mesmo esconder ligações perigosas entre os ideais que defendem e aqueles que nos têm “desgovernado” nos mais recentes anos, ao serviço dos interesses privados e da troika (poderíamos perguntar “onde está o Wally?” ao fazer o esforço de descobrir a simbologia partidária diluída em novas cores, entre cubos e cubos de um azul bebé que se quer ingénuo mas que não engana);

- Vários optam pelo populismo fácil procurando arregimentar audiências que vão transportando à jorna, aplicando técnicas de marketing à promessa do voto, esvaziando os conteúdos em discursos de conveniência e de protagonismo já conhecido e de frágil transparência e rigor (as ideias e as propostas válidas adormecem nos baús de uma intelectualidade que apenas serviu para conquistar incautos);

- Alguns assinalam a presença, discreta mas honrosamente fechada, insistindo na ideia de “confiança” numa oposição já conhecida pelo “trabalho, honestidade e competência” mas que não anseia em partilhar caminhos para a necessária e urgente mudança.

 

Há quem no entanto venha “com o peso do passado e da semente”, também com a experiência da luta por direitos, com ideais de desenvolvimento, de justiça social e de solidariedade, de projetos de mudança, mas com a certeza de que a política deve ser reformulada – “olhão sempre!” (o interesse público, o rigor, a transparência, a competência técnica ao serviço das populações e do concelho) e “restaurar a confiança” (nas potencialidades de quem quer contribuir como equipa para aplicar políticas de desenvolvimento sustentável, nas pessoas que devem ser auscultadas e mobilizadas para intervenções participadas de mudança, nos novos modelos de democracia participativa onde todos são importantes não só para votar mas também para decidir quotidianamente). Aqui a lógica do exercício do poder é compartilhada não servindo interesses ou protagonismos. Assume-se como princípio a derrota dos vícios do clientelismo partidário ou da hierarquia dos seus aparelhos, colocando pessoas certas nos lugares certos pela sua experiência e competência. Daí a importância das auditorias como bandeira para “esclarecer” o passado e “preparar” o futuro. Os independentes não são ornamentos. Os aderentes do bloco são iguais a todos os outros membros das listas, em direitos e em deveres, sem qualquer tipo de privilégios. Estamos no mesmo barco e desafiamos as tempestades. “Esperar tantos anos torna tudo mais urgente!”

 

E do lado da procura? Esperamos que todos  e todas entendam que o que está em jogo é o futuro de Olhão, da permanência das suas gentes, da legitimação e protecção dos seus recursos, da possibilidade local de recuperar qualidade de vida e inclusão social. O voto é no momento. Queremos que seja livre e consciente e... apesar de todos os constrangimentos... ainda é verdadeiramente pessoal e secreto!   

 ROGÉRIO NETO