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O RESPEITO PELO AMBIENTE EM OLHÃO: FILMES E FINTAS

A história conta-se em poucas palavras, tal como noticiou o jornal Público no dia 8 de Maio. A empresa concessionária das obras do porto de recreio, também responsável pela construção da marina, pela exploração progressiva de ancoradouros limítrofes e de outros tantos negócios no âmbito dos equipamentos turísticos, decidiu proceder à remoção de lamas e limpeza na zona do cais de embarque, tendo para o efeito construído uma rampa (pedras e entulho) para permitir o acesso da maquinaria à ria. Tudo feito sem licença, sem identificação do responsável pela obra e de quem a autorizou, em desobediência ao parecer desfavorável do Parque Natural da Ria Formosa por ausência de apresentação de estudo de impacto ambiental. A Câmara fechou os olhos. Da vereação pouco se sabe. Quem assistiu, relata em primeiro momento um movimento contínuo de transporte de resíduos pela via ribeirinha até zona fronteiriça com o projeto da marina, onde em vala aberta se iam acumulando e enterrando as lamas e detritos. O Parque acaba por embargar a obra e obriga à remoção da rampa. Entretanto, o movimento contínuo de transporte de resíduos e de materiais já fintava os “olhos dos que tudo viam”, e os “assistentes de realização deste filme” inventavam novos percursos pela EN 125 para “não dar nas vistas” – afinal nem todos os olhanenses estavam confinados como se pensaria e as cerca de 800 toneladas de material tóxico lá iam viajando… Será que a obsessão pelo investimento no turismo massificado ultrapassa a legalidade? Será que a defesa do ecossistema da ria é mero empecilho à “urgência paranóica” daquilo que chamam de requalificação, divorciando-se arquitectura paisagística atípica e qualidade ambiental? Que o divórcio já foi assumido com a identidade dos espaços e com o quotidiano dos olhanenses não há dúvida – correr com os pescadores da zona e com os utentes locais dos jardins é fim à vista. Aguardemos as respostas ao nosso deputado. Entretanto uma palavra de apreço aos olhanenses que não se rendem e que praticam o activismo cívico e a cidadania – nem todas as mudanças são evolutivas!