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MARISA A PRESIDENTE - 2021

"Se alguma coisa devemos fazer na política, é dar voz a quem não a tem"

ALGUNS APOIANTES DA MARISA

  • Adolfo Luxúria Canibal, músico e vocalista Mão Morta;
  • Afonso Cruz, escritor;
  • Alexandra Lucas Coelho, jornalista;
  • Alexandra Oliveira, professora universitária;
  •  Ana Benavente, professora universitária e ex-secretária de Estado do governo Guterres;
  •  Ana Cristina Santos, socióloga; 
  •  Ana Luísa Amaral, poetisa;
  •  Ana Matos Pires, médica psiquiatra;
  •  Anabela Rodrigues, dirigente da Solim, solidariedade imigrante;
  •  Afonso Cruz, escritor;
  •  André Freire, politólogo;
  •  António Capelo, ator;
  •  António Macedo, locutor;
  •  Boaventura Sousa Santos, sociólogo;
  •  Bruno Sena Martins, antropólogo;
  •  Bruno Gonçalves, ativista pelos direitos da comunidade cigana;
  •  Carlos Mendes, músico;
  •  Carolina Torres, apresentadora;
  •  Cláudio Torres, arqueólogo e Prémio Pessoa;
  •  David Bruno, músico;
  •  Diana Andringa, jornalista;
  •  Eduardo Paz Ferreira, advogado;
  •  Fausto Bordalo Dias, músico;
  •  Fernando Rosas, historiador e fundador do Bloco;
  •  Francisco Ramos, adm. hospitalar, ex-secretário de Estado da Saúde;
  •  Gabriela Ruivo Trindade, escritora;
  •  Gonçalo Amorim, encenador;
  •  Inês Pedrosa, escritora;
  •  Isabel do Carmo, médica;
  •  João Leal Amado, professor universitário especialista em direito do trabalho;
  •  João Lóio, músico;
  •  João Salaviza, realizador;
  •  Joana Cottim, professora de língua gestual port.; ativista dos direitos das pessoas surdas; 
  •  Joana Lopes, professora universitária;
  •  Jorge Falcato, arquiteto, ativista pelos direitos das pessoas com deficiência;
  •  Jorge Gouveia Monteiro, empresário e ex-vereador da CDU na CM Coimbra;
  •  José Dias, técnico de turismo apos., foi Assessor Político do Pres. Jorge Sampaio;
  •  José Gigante, arquiteto;
  •  José Luís Peixoto, escritor;
  •  José Manuel Boavida, presidente da Associação dos Diabéticos;
  •  Júlio Machado Vaz, psiquiatra;
  •  Luca Argel, músico;
  •  Lúcia Moniz, atriz;
  •  Luí­s Vicente, ator;
  •  Madalena Bindzi, estudante;
  •  Manuel Strecht Monteiro, médico e ex-deputado PS;
  •  Manuela Tavares, ativista feminista;
  •  Maria Teresa Horta, escritora;
  •  Mário Moutinho, ator;
  •  Mário Tomé, militar de Abril;
  •  Messias Santiago, músico;
  •  Miguel Costa, ator;
  •  Miguel Guedes, músico, advogado e vocalista Blind Zero;
  •  Paulo Meirinhos, músico dos Galandum Galundaina.
  •  Pedro Lamares, ator;
  •  Pezarat Correia, militar de Abril;
  •  Pilar del Rio, jornalista;
  •  Raimundo Narciso, resistente anti-fascista, ex-deputado;
  •  Regina Guimarães, escritora;
  •  Ricardo Cabral, economista;
  •  Rita Silva, ativista pelos direitos dos animais;
  •  Sara Barros Leitão, atriz e encenadora;
  •  Sara Carinhas, encenadora;
  •  Sérgio Godinho, músico;
  •  Shahd Wadi, investigadora e ativista pelos direitos do povo palestiniano;
  •  Sí­lvia Ferreira, professora universitária;
  •  Tatiana Moura, investigadora;
  •  Zélia Afonso, Associação José Afonso

 

A HISTÓRIA DA MARISA

Marisa Isabel dos Santos Matias nasceu a 20 de Fevereiro de 1976. Cresceu na aldeia de Alcouce, Condeixa-a-Nova, calcorreando os campos e o longo caminho até à escola. O mundo chegava pelos livros, pela televisão da avó. Aos 16 anos, começou a trabalhar para pagar os estudos. No liceu, em Coimbra, iniciou-se nas lutas, contra a Prova Geral de Acesso ao ensino superior. Escolhe a Sociologia, sempre trabalhadora-estudante. Fez limpezas, serviu à mesa, deu aulas no ensino profissional e trabalhou no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Fez o seu doutoramento em 2009 - “A natureza farta de nós? Saúde, ambiente e novas formas de cidadania”. Ativista dos Direitos Humanos, presente em movimentos cívicos ligados à cultura, ambiente e direitos sexuais e reprodutivos, aderiu ao Bloco de Esquerda em 2004. Em 2009, foi eleita deputada ao Parlamento Europeu, numa lista encabeçada por Miguel Portas. Trabalha sobre Saúde, na diretiva quadro sobre o combate aos medicamentos falsificados, na estratégia de combate ao Alzheimer e outras demências, funda o grupo de trabalho sobre a diabetes. Dois anos depois, é eleita eurodeputada do ano na área da Saúde. Em 2019 a Rede Europeia de Ação Climática nomeia-a “campeã pelo clima” entre os eurodeputados portugueses. Candidatou-se às eleições presidenciais de 2016 e foi a mulher mais votada de sempre, com 10% e 470 mil votos.

 

ENTREVISTA

Porque te candidatas à Presidência da República? Apresentei a minha candidatura entre trabalhadores da linha da frente no Largo do Carmo, em Lisboa. Vou à luta pela nossa segurança, começando pela Saúde, e pela nossa liberdade, por isso escolhi o local da vitória do 25 de abril.

A Saúde é a tua preocupação principal? Já antes da pandemia compreendemos que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa de mais profissionais, de mais investimento, mas sobretudo de uma estratégia. Ganhámos a luta, iniciada por António Arnaut e João Semedo, por uma nova lei de bases da Saúde. Mas agora, quando é mais necessária, essa estratégia não está a ser aplicada. Hoje estamos à prova: ou temos um SNS capaz de responder por todos ou o país cede perante este drama. Olhemos para os países onde as pessoas têm de pagar por cuidados básicos. Não quero essa desigualdade em Portugal. Na Saúde respondemos sobre a qualidade da democracia que temos. Penso que a Presidência tem aqui um papel. É isto que mais me mobiliza.

Como avalias a resposta dos serviços de Saúde à pandemia? Os profissionais do SNS têm dado tudo. Só merecem o nosso apoio - e o nosso maior cuidado na prevenção do contágio! Há necessidades óbvias: reforço de profissionais, estímulos à exclusividade no SNS, aquisição de meios de diagnóstico. O SNS gasta milhões a contratar profissionais à tarefa e a pagar análises no privado que devia ter meiospara realizar internamente. A pandemia tornou tudo isto mais urgente e aumentou ainda mais as necessidades. Temos hoje mais equipamento disponível do que profissionais para os utilizar. Ora, em 2020, o SNS já perdeu quase mil médicos, nada se avançou na exclusividade e pouco foi feito para internalizar os meios de diagnóstico.

 Mas o governo diz estar a fazer esse reforço... Se queremos reforçar o quadro do SNS não basta abrir concursos que depois ficam longe de reunir candidatos interessados. É preciso oferecer melhores carreiras, remunerações e condições de trabalho.

“CONTINUIDADE NÃO BASTA QUANDO A CRISE É EXCECIONAL“

Na Europa, anunciam-se grandes programas pelo emprego e contra a pobreza. Mas em Portugal o governo poupa no investimento público, nos salários, nos apoios à economia. É o momento para essas restrições? O primeiro ministro diz que responde à crise em 2021 com “um orçamento de continuidade”. Mas a continuidade não basta quando a situação é excecional. Precisamos de muito mais na saúde, no emprego, nos apoios sociais. Faltam medidas para impedir que o país fique pior em 2021. É preciso que o Estado faça mais o que a economia está a fazer menos: investir e produzir. É isso que protege as pessoas.

Ouve-se muito que “ninguém pode ficar para trás”. Mas muitos trabalhadores a recibo verde com grande quebra de rendimentos terão pouco ou nenhum apoio. É necessário repor a abrangência e a duração do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego que vigoravam até 2012. Para quem fica fora desses apoios (é o caso de muitos trabalhadores independentes e informais), é necessária uma nova prestação que faça a diferença. Ninguém deve cair na pobreza por falta de apoio na pandemia.

Vimos como a precariedade coloca os trabalhadores em risco imediato face a eventos inesperados. Mas as leis do trabalho mantêm os retrocessos introduzidos pela troika. Os contratos servem para proteger quem trabalha, puxam pelo salário e portanto garantem uma melhor distribuição da riqueza. Ainda mais em tempos de crise. O governo tem-se apoiado na direita para chumbar medidas simples, como a limitação dos contratos temporários para que não se eternizem. Ou que os despedimentos deixem de ser tão fáceis e baratos para quem despede, aumentando-se as indemnizações aos trabalhadores, de 12 para 20 dias por ano de trabalho. O PS defendia isto há poucos anos, mas agora defende a lei de Passos Coelho. Porquê?

Marcelo Rebelo de Sousa é o teu adversário? Claro que sim. Marcelo Rebelo de Sousa tem sido muito diferente de Cavaco, no trato com o país ou no interesse por pessoas vulneráveis - encontrei o Presidente na causa dos cuidadores informais ou sinalizando a situação da população sem-abrigo. Mas o alinhamento do presidente à direita ficou claro ao longo do seu mandato, quando patrocinou um acordo com os patrões que precariza ainda mais o trabalho, quando defendeu a venda ruinosa do Novo Banco a um fundo abutre que assalta o erário público ou ainda quando acompanhou o negócio privado da Saúde na crítica à nova Lei de Bases.

“VOU DERROTAR ANDRÉ VENTURA”

Outros dos temas em que discordam é a eutanásia. Qual a tua posição? Para mim, a vida é mais do que a sobrevivência do corpo. E a dignidade é poder preservar, respeitar e elevar essa vida. Por vezes, o corpo sobrevive para além dessa possibilidade. Condenarem-me a sobreviver nessa condição, contra a minha vontade, viola o que há de mais sagrado para mim. Seja qual for a nossa escolha pessoal, ninguém tem o direito de impor uma única forma de decidirmos. A despenalização da morte assistida permite que as pessoas façam as suas escolhas em liberdade, consciência e segurança.

Face ao acordo entre o PSD e o Chega, que farias como Presidente da República? Estranhei muito a naturalidade com que o atual Presidente aceitou a posse de um governo açoriano que fica na dependência de um partido racista. O Presidente errou ao aceitar este acordo sem sequer tentar empossar o Partido Socialista, que foi o mais votado.

Como vês essa aliança? Ao contrário do que diz Rui Rio, o Chega não é um partido a caminho da moderação: Ventura saiu do PSD para imitar Trump, Bolsonaro e a extrema-direita europeia. Juntou cabeças rapadas, fundamentalistas religiosos e ex-militantes do CDS e do PSD em torno de um discurso de ódio e de ofensa à dignidade humana: segregação racial, insulto aos imigrantes, prisão perpétua, castração química. E vem Rui Rio reconhecer o Chega como parceiro? É gravíssimo.

O candidato do Chega diz que se demite se o ultrapassares nas presidenciais. Não acredito em nenhuma promessa de André Ventura, mas pretendo derrotá-lo nestas eleições. É um político cobarde, vive de atacar os mais desprotegidos, como se viu agora nos Açores, onde impôs cortes no apoio aos mais pobres. E é do pior que há no sistema: foi dirigente nacional e vereador do PSD, investigado na operação anti-corrupção “Tutti-Frutti”, dos mais promíscuos com os negócios. Foi jurista da Autoridade Tributária e, enquanto candidato, prometeu que estaria em exclusividade no parlamento. Depois de eleito, passou a acumular os rendimentos de deputado com os de conselheiro fiscal de ricos que procuram não pagar impostos. Uma vergonha

Em todos os estudos surges destacada no apoio das gerações mais jovens. Tens uma explicação para isso? Sou inspirada pelas gerações mais jovens. Nos últimos anos, têm feito uma autêntica revolução pelos direitos das pessoas: absoluta rejeição do racismo, uma onda feminista que toma a palavra e as ruas, um país novo perante a igualdade entre mulheres e homens, as questões da orientação sexual e as da identidade de género. Mas não só. Conheço muitos ativistas motivados pelo apelo da Greta Thunberg contra as alterações climáticas. Alguns ainda não têm idade para votar, mas assumem a causa do seu futuro, tal como fazem muitos jovens negros que recusam serem tratados como cidadãos de segunda e exigem o seu lugar.

Mas este protagonismo da juventude não tem tido correspondência em mais direitos. Nunca esqueço o esforço que a minha família, como tantas outras, teve de fazer para que eu pudesse estudar. As coisas mudaram, mas há muito a fazer. A tua origem continua a determinar as tuas hipóteses de concluir estudos. E o simples facto de seres jovem é um passe para a precariedade. Como se a eternização de períodos experimentais, estágios não remunerados e salários mínimos fosse aceitável até à meia idade. A esquerda já propôs as mudanças necessárias. Se não forem feitas para responder à crise, esta vai agravar os problemas. Uma última palavra sobre a pandemia: muita gente caiu na tentação de generalizar acusações à juventude, como se fosse sinónimo de irresponsabilidade. Estou solidária com quem atravessa estes longos meses numa fase tão especial da vida e valorizo o contributo da maioria dos jovens, os que nem se isolam nem se arriscam

 

DIA 24 JANEIRO VOTA MARISA Sabe como: recenseamento.mai.gov.pt