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À CONVERSA COM HELGA VIEGAS, CANDIDATA OLHANENSE AO PARLAMENTO (independente pelo BLOCO DE ESQUERDA, em segundo lugar na lista)

À CONVERSA COM HELGA VIEGAS, CANDIDATA OLHANENSE AO PARLAMENTO (independente pelo BLOCO DE ESQUERDA, em segundo lugar na lista)

A Comissão Coordenadora Concelhia de Olhão esteve à conversa com Helga Viegas, candidata independente, e em segundo lugar na lista do Bloco de Esquerda pelo circulo eleitoral de Faro. Na agradável conversa, Helga Viegas manifestou as suas preocupações e motivos pelos quais aceitou participar neste projeto na defesa dos interesses dos algarvios e dos olhanenses.

1. P - Quais as razões que te levaram a aceitar o convite para integrar as listas do BE Algarve.

R - A possibilidade de poder trabalharem prol da defesa dos interesses dos algarvios, de ter a oportunidade de, por esta via, contribuir com alguma da minha experiência e conhecimento dos problemas e dos anseios da população da região no sentido de os ver, o mais possível, mitigados, teve um grande peso na aceitação deste convite.  Outro factor que pesou nesta decisão, o qual não posso deixar de mencionar, prende-se com os demais elementos que compõem a lista, outros algarvios dos mais diversos quadrantes profissionais, pessoas muito válidas e disponíveis para contribuir, não obstante os seus compromissos profissionais e pessoais,  com o seu tempo e com os seus conhecimentos para o bem comum.

2. P -Em linhas gerais, quais os principais aspetos do programa eleitoral do BE para o Algarve.

R - Quanto ao Algarve, e em termos gerais, o Bloco de Esquerda está comprometido em prosseguir com o combate às desigualdades, em prol do bem-estar de todos e da defesa de uma economia que favoreça e permita que toda a gente tenha acesso a melhores condições de trabalho e de vida, empenhando-se na criação de condições para responder positivamente à realidade do nosso tempo e a novos fenómenos políticos, sociais e ambientais. Assim, o Bloco de Esquerda trabalhará em prol da defesa  da existência de serviços públicos de qualidade na região, nomeadamente os relacionados com a saúde, lutando para que  os Hospitais de Faro e Portimão passem a ter os recursos financeiros, humanos e técnicos necessários a uma boa e efetiva prestação de cuidados médico a todos quantos necessitem de a estes recorrer, exigindo, também, que todos os algarvios tenham acesso a médicos de família. Por outra via, o BE não deixará de se bater pela já tardia e bastante necessária construção do novo Hospital de Lagos e do Hospital Central do Algarve. Não deixará, igualmente, de defender um Algarve com mais e melhor mobilidade, designadamente, a modernização da linha ferroviária regional, com ligações à Andaluzia, ao Aeroporto e à Universidade, a requalificação total da EN125, com o resgate da concessão entre Olhão e Vila Real de Santo António, a criação do passe intermodal e gratuitidade para alunos do ensino obrigatório e, certamente, a continuação da luta pela abolição das portagens na Via do Infante. Outra das grandes prioridades do Bloco de Esquerda prende-se, necessariamente, com a defesa intransigente do trabalho com direitos, refletindo-se no reforço do combate à precariedade nos setores público e privado e na luta para aumento do Salário Mínimo Nacional. De fora não ficam também as preocupações ambientais, que se traduzem, entre muitas outras, na defesa da proibição de qualquer tipo de prospeção ou exploração de hidrocarbonetos e Oposição à privatização da água, avançar com processos para a sua reutilização, e garantir água para consumo humano, animal e agrícola, bem como desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para todos, exigindo o direito à habitação em condições dignas, investindo na construção e reabilitação de habitações para arrendamento acessível, apostando na diversificação das atividades económicas, como pesca, viveirismo, aquacultura, agricultura, pecuária, silvicultura, através da formação de profissionais, apoios e sustentabilidade do setor da pesca,  em medidas de combate à interioridade e à desertificação e na defesa das áreas costeiras, naturais e protegidas, e salvaguarda das populações ribeirinhas.

3. P - Se fores eleita, quais as primeiras propostas que farás, na Assembleia da República, tendo em vista uma melhoria da qualidade de vida dos algarvios.

R - Tendo em conta a realidade da região e os problemas que percepciono enquanto algarvia, os quais têm, em minha opinião, um grande impacto na vida das pessoas e que, pessoalmente, me causam grande preocupação, creio que as primeiras propostas se relacionariam com a questão da saúde e da mobilidade. Todos nós temos assistido, pessoalmente ou através do que é veículado pela comunicaçao social, à situação difícil em que se encontra o sector da saúde na região, sendo inegável que os algarvios têm um acesso à saúde, cada vez menor e de pior qualidade. Como, de resto, consta do programa do Bloco de Esquerda para o Algarve, lutaremos pela construção de um hospital com todas as valências e pela adoção de medidas que permitam a a fixação de profissionais. Quanto à questão da mobilidade, continuamos, apesar da pressão e das propostas apresentadas nesse sentido, a ter a Via do Infante paga, o que inegavelmente limita a sua utilização quer por particulares, quer por empresas, impondo uma pressão cada vez maior sobre a Estrada Nacional 125, que se perfila como a única alternativa quando, claramente, não é, uma vez que esta via continua, como todos nós que nela circulamos podemos facilmente percecionar, mal mantida, extremante insegura e degradada. Propostas que passem pelo fim das portagens na Via do Infante, pela requalificação da EN 125 e pelo aumento da rede de transportes públicos e melhoria do material circulante, estarão sempre entre as prioridades dos deputados eleitos pelo Algarve.

4. P - Uma mensagem aos algarvios.  

R - Tenho consciência que as pessoas, e os algarvios não são exceção, estão cada vez mais arredadas da participação política, situação que em muito se deve ao facto de sentirem que não são ouvidas e de, de eleição em eleição, não sentirem qualquer alteração ao estado das coisas, o que se traduz em níveis de abstenção cada vez mais altos. Gostaria que, apesar de tudo, as pessoas tivessem consciência de que têm efetivamente uma palavra a dizer e que esta se traduz no seu voto. Como algarvios não nos podemos alhear da realidade em que vivemos e temos de lutar, sempre e incansavelmente, pelos nossos direitos e pelas condições de vida que merecemos, não podendo deixar nas mãos dos outros a decisão sobre questões que nos afetam diariamente e cuja resolução nos permitirá usufruir com mais qualidade desta maravilhosa região. É importante que façamos lembrar que o Algarve não existe só no verão e não podemos aceitar viver quase esquecidos durante o resto do ano, cabendo-nos a nós, algarvios, não baixar os braços e continuar a lutar pela defesa dos interesses da região e da nossa qualidade de vida.