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ENTREVISTA DE IVO MADEIRA (CANDIDATO DO BE - CÂMARA MUNICIPAL DE OLHÃO) AO JORNAL "O OLHANENSE"

OLHÃO SEMPRE! - RESTAURAR A CONFIANÇA

ENTREVISTA DE IVO MADEIRA (CANDIDATO BE) AO JORNAL "O OLHANENSE"

 

A. DADOS BIOGRÁFICOS GERAIS

Nome- Ivo Manuel Neto Madeira Conceição

BI – 1103133

Recenseamento Eleitoral – A-6177 (União Freguesias Moncarap./Fuseta)

 

Idade- 63 anos

Local de nascimento- Olhão

Residência – Quatrim do Norte, Olhão

Habilitações literárias- Licenciado em Economia

Profissão- Professor aposentado

Cargos políticos desempenhados- nenhum; concorre pela primeira vez a cargos políticos como candidato independente. 

 

B. CURRÍCULUM RESUMIDO

·        licenciado em Economia (ex ISCEF-Lisboa)

·        professor aposentado do ensino secundário – grupo de Economia (430), tendo, entre outros cargos, desempenhado funções ligadas à gestão escolar (dez anos como Presidente do Conselho Directivo da Escola Secundária de Olhão; Presidente da Comissão Instaladora da Escola C+S Dr. Alberto Iria)

·        formação em Produção de Frutos Tropicais e Subtropicais (Direcção Regional de Agricultura do Algarve)/membro de associações de agricultores.

 

 

C. QUESTIONÁRIO EM FORMA DE ENTREVISTA

 

Jornal “O Olhanense” (JO): -Sabendo-se que o País atravessa uma crise, que provoca grandes dificuldades na gestão das autarquias, diga-nos o porquê de, mesmo assim, se candidatar à presidência da autarquia.

 Candidato (C): - Na altura em que vivemos um dos momentos mais difíceis da nossa história, com uma crise que nos empobrece diariamente, desempregados sem esperança, jovens sem futuro, cidades que viveram um modelo de desenvolvimento baseado na especulação imobiliária e que já está esgotado, autarquias paralisadas pela asfixia financeira - perante este quadro o conformismo não é a solução.

Sinto que é altura de participar nas decisões da nossa vida colectiva, não apenas como votante, mas integrado num projecto de mudança que seja capaz de restaurar a confiança a Portugal e particularmente aos olhanenses.

É urgente, a nível nacional, contribuir para a derrota do governo PSD/CDS que está a praticar medidas devastadoras para Portugal - desemprego, empobrecimento acelerado, exclusão social. A nível local contribuir para retirar o poder absoluto ao partido que governa Olhão há quase quatro décadas e com os resultados que se conhecem: uma autarquia em estado de pré-falência, uma cidade descaracterizada, triste, sem vida própria, com índices de desemprego, de pobreza e de exclusão social dos mais elevados do Algarve.

Por isso me identifico com os ideais do Bloco de Esquerda e aceitei, com muita honra, liderar como independente a lista à Câmara Municipal de Olhão.

 

JO: - Faça-nos um comentário sobre a Lei vulgarmente conhecida por Lei dos Compromissos e diga-nos da sua concordância ou discordância da mesma, referindo em seu entender que convenientes ou inconvenientes tem na gestão das Autarquias.

(C):- A Lei dos Compromissos poderá ter a vantagem de limitar algum endividamento, mas na maioria dos casos tem levado à asfixia de alguns serviços, nomeadamente nas áreas da saúde, da educação e da cultura. O endividamento controla-se com orçamentos verdadeiros e de rigor, com transparência e sobretudo utilizando uma técnica que se chama “ orçamento de base zero “ e que permite limpar erros do passado e elaborar orçamentos verdadeiros de acordo com as reais necessidades dos serviços.

 

JO: - Na qualidade de candidato a Presidente do Município Olhanense, conhece os grandes problemas e as grandes necessidades da nossa Cidade. Diga-nos, de acordo com o seu ponto de vista, quais são os maiores problemas e as grandes prioridades, hierarquizando-as, e como os tenciona resolve-las.

 (C):- Trata-se de todo um modelo de desenvolvimento desadequado, desarticulado, falido, baseado quase exclusivamente na construção, que provocou o encerramento de múltiplas actividades (quer a montante, quer a jusante) e que deu origem a elevadas taxas de desemprego e de exclusão social. Propomos a sua substituição por um novo modelo de desenvolvimento que privilegie as actividades e recursos locais: reabilitação urbana, revitalização das actividades económicas tradicionais, turismo cultural e de natureza, em articulação com a defesa e proteção da ria e do ambiente.

  Outro dos problemas é a falta de transparência e de participação das pessoas. Para o superar propomos uma auditoria às contas da autarquia e empresas municipais de modo a que se conheça a verdade financeira e o real grau de endividamento da Câmara Municipal. Queremos ainda promover a participação dos munícipes nos projectos estruturantes para a comunidade e revitalizar o papel fiscalizador da Assembleia Municipal.

         Face ao problema crescente da pobreza e exclusão social propomos: a criação de um gabinete de emergência social que revitalize e operacionalize uma verdadeira rede técnica e voluntária de intervenções, acabar com o corte da água às famílias comprovadamente necessitadas e alargar a cobertura de apoio social e de cuidados primários de saúde ao domicílio, sobretudo aos idosos em situação de isolamento.

 

JO:- As receitas do nosso Município têm vindo a decrescer provocando um enorme desequilíbrio nas contas da Autarquia. O que tenciona fazer para equilibrar as contas do Município e que gestão pretende implementar para que as receitas se revitalizem.

(C):- Pensamos que o esforço de equilíbrio nas contas da Autarquia deverá ser feito essencialmente à custa de uma redução das despesas e sobretudo nos gastos não essenciais ( menos contratação de serviços externos, forte redução na frota automóvel e melhor aproveitamento dos meios humanos existentes ).

Com as medidas de desenvolvimento propostas na questão anterior e alguma revitalização económica, a médio/longo prazo, poderá então pensar-se no aumento das receitas que permita libertar verbas para futuros investimentos.

 

JO:- Como tenciona gerir os muitos problemas sociais existentes na nossa Cidade, nomeadamente, no que se refere às rendas sociais, às cantinas escolares e à distribuição de cabazes alimentares pelas famílias mais desfavorecidas.

(C):- O programa eleitoral do Bloco de Esquerda propõe a criação de um Gabinete de Emergência Social que detecte e socorra rápida e eficazmente os munícipes e famílias em situação de grave carência. O Gabinete acima referido procurará dar as respostas adequadas às pessoas comprovadamente necessitadas e no que diz respeito aos três aspectos referidos na pergunta, assim como a outros que se julguem pertinentes, seguindo-se princípios que vão para além da mera preocupação assistencialista - inventário e diagnóstico das dificuldades; escuta activa; capacitação para a autonomia; participação (promoção de “hortas biológicas” e de “pequenos quintais urbanos”, por exemplo) e responsabilização.

 

JO:- Sabendo-se a crise que o comércio tradicional atravessa e atendendo à nossa Rua do Comércio, que iniciativas tem em mente para revitalizar essa zona comercial.

(C):- Iniciativas para revitalizar a Rua do Comércio:

- Acções e eventos promocionais do comércio e da restauração ( ex: concursos de gastronomia, animação de rua).

- Promover a criação de uma Central de Compras para os comerciantes.

-Impulsionar a reabilitação do edificado nos bairros históricos e zonas antigas da cidade ( que se encontram próximas da Rua do Comércio ) estimulando o emprego nas áreas afins que por sua vez irá gerar um efeito multiplicador através dos rendimentos gerados com algum consumo de proximidade.

 

JO:- -Se for eleito, qual será a sua posição e que filosofia vai seguir no que se refere ao S. C. Olhanense, às dificuldades que atravessa e no que respeita às modalidades amadoras de todos os clubes existentes em Olhão.

(C):- Recordamos todos com saudade e orgulho os feitos gloriosos conseguidos pelo Olhanense que se sagrou Campeão Nacional no ano de 1924, mas o futebol já perdeu a sua componente romântica e hoje  é essencialmente um negócio. Há que respeitar os compromissos assumidos no passado, mas também é necessário estabelecer prioridades e o futebol profissional não é das primeiras. No que respeita às modalidades amadoras, deverão ser apoiadas até numa perspectiva de ocupação de tempos livres por parte dos jovens, numa lógica de formação integral mas também de prevenção dos problemas sociais que os afetam, evitando assim que venham a  dedicar-se a actividades menos próprias.  

 

JO:- Se o entender deixe uma mensagem à população olhanense.  

(C):- Com rigor, transparência, participação das pessoas, defesa, proteção e melhor aproveitamento dos recursos existentes, será possível uma gestão camarária que seja capaz de responder ao elevado endividamento actual e abra caminho para a redução das diversas taxas municipais que tanto preocupam os olhanenses, assim como para a promoção futura da economia local e do emprego.