Comunicado do Secretariado da Comissão Coordenadora Distrital do Algarve do Bloco de Esquerda
Ilhas-Barreira da Ria Formosa – foi lamentável a posição do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e condenável a posição da direita
Mais uma vez as esperanças e as legítimas aspirações das populações das ilhas-barreira da Ria Formosa foram defraudadas. Na passada sexta-feira, dia 12 de fevereiro, foi chumbado na Assembleia da República, pelos deputados do PSD e CDS, um Projeto de Resolução do Bloco de Esquerda que recomendava ao Governo a suspensão imediata das demolições nas ilhas. No entanto, foi a abstenção do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (incluindo os deputados eleitos pelo Algarve) que permitiu a reprovação do Projeto de Lei do Bloco. Se a atitude da direita é condenável, a posição do PS é de lamentar!
Durante o governo PSD/CDS-PP os deputados do PS votaram contra as demolições. Agora, com um governo PS, votam a favor das demolições – é o que indicia o ponto 4. do seu Projeto de Resolução ao recomendar ao Governo que «adote uma postura firme de reposição da legalidade e combate às construções não autorizadas em domínio público marítimo (...)», quando se sabe que uma das reivindicações dos seus habitantes é a luta pela legalização das suas habitações. O Bloco de Esquerda pediu mesmo a desagregação deste ponto 4, sendo votado à parte.
Além da suspensão imediata das demolições nas ilhas barreira da Ria Formosa e na península do Ancão, o Projeto de resolução apresentado pelo Bloco recomenda ao governo outras medidas: desafetação do Domínio Público Marítimo, a favor da Câmara Municipal de Faro, das áreas onde estão implantados os núcleos populacionais da Culatra, Farol e Hangares; elaboração de um plano de pormenor destas áreas atendendo à sua natureza e riscos associados aos processos da dinâmica costeira e às alterações climáticas; consolidação e requalificação dos núcleos populacionais e dos espaços balneares, com expressa proibição do aumento do edificado e volumetria existentes; apoio à regularização das situações existentes não tituladas através da concessão de título de utilização ao edificado existente; o imediato realojamento de todas as famílias cuja primeira habitação tenha sido demolida; a requalificação de toda a Ria Formosa, de forma a preservar o seu riquíssimo valor natural, a qualidade da água e a atividade de viveiristas e mariscadores; a urgente dragagem das barras naturais e dos canais de navegação da Ria, e a imediata instalação da nova ETAR Faro – Olhão.
O Bloco de Esquerda saúda o “Movimento Je Suis Ilhéu” e solidariza-se com todas as suas lutas em defesa das populações das ilhas-barreira. “Perder mais uma batalha não significa perder a guerra” e devem persistir na luta pelas suas reivindicações e aspirações.
Faro, 15 de Fevereiro de 2016,
O Secretariado da Coordenadora Distrital de Faro do Bloco de Esquerda