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JORNAL SEMPRE POR OLHÃO: A juventude e a política

A JUVENTUDE E A POLÍTICA

Os jovens perderam o interesse político. Se perguntar a um adolescente o que acha de política, a resposta mais provável que vai ouvir  é “eu não ligo muito a política” ou “eu sozinho não consigo mudar nada”. Tendo em conta que a política influencia toda a nossa vivência e basicamente dita o modo como cada um de nós interaje com o próximo, como pode ser que os jovens na sua grande maioria tenham desistido do meio político?

A verdade é que, por um lado, não existe consciência de que a intervenção política ultrapassa a esfera partidária e que como cidadãos os jovens poderão participar em movimentos cívicos que enquadrem os seus interesses, pese embora os obstáculos que derivam de uma “cultura juvenil massificada, consumista e individualista” que se tem vindo a instalar nas sociedades contemporâneas. Por outro lado, a política institucionalizada e a classe política que ocupa os poderes têm falhado para os jovens (e não só). Têm falhado essencialmente em dois pontos cruciais:

- Criaram, com as suas políticas e regras (ou falta delas), ajustadas à globalização cada vez mais liberal dos mercados, um mundo onde não existe igualdade de oportunidades. A falta de recursos na educação pública faz com que os que nasçam em meios mais abastados possam obter uma educação mais sólida e assim ter uma grande vantagem no mercado de trabalho em relação aos jovens que, mal acabam o ensino obrigatório, têm que trabalhar porque a família simplesmente não tem meios para lhes garantir uma educação superior. A falta de recursos numa política democrática de habitação faz com que os jovens, especialmente os que vêm de meios mais pobres, tenham de viver em casa dos pais até muito mais tarde do que antigamente, o que é cada vez mais uma fonte de frustração tanto para os pais como para os filhos. Basicamente, os jovens sentem (e com razão) que vivem num mundo com uma política injusta, que funciona apenas para uma mão cheia de pessoas.

- Falharam em criar um sistema político livre de corrupção, onde são notórias as promiscuidades com o poder económico e financeiro. Outra resposta que pode obter se perguntar a um jovem o que ele acha de política é “política é para os ladrões”. Isto deve-se a ano após ano se ouvir falar de casos de corrupção de indivíduos que se encontram ou já se encontraram ligados ao meio político e de repararem que no final, quase nenhum sofre as consequências pelo crime de que foi acusado. Mais uma vez, um sistema injusto.

Nas regiões longe dos centros políticos (Lisboa e Porto), como é o caso de Olhão, o problema intensifica-se ainda mais, pois mesmo os jovens que superam todas as barreiras e que querem participar sentem que não podem participar na conversa, que não conseguem fazer ouvir a sua voz e contribuir para um mundo melhor – a  tradicional participação nas juventudes partidárias é vista como mais uma oportunidade pré-fabricada para a mobilidade e para o acesso ao poder, levando a juventude a perder a autonomia e a sua força crítica, mobilizadora de sonhos e de mudança.

O Bloco de Esquerda já há muito tempo que identificou este problema e que trabalha para o resolver. É preciso dinamizar atividades que mostrem aos jovens que as opiniões deles são importantes. É preciso exigir transparência dentro dos meios políticos, facilitar o acesso à informação e implementar regras anti corrupção. É preciso exigir aos representantes políticos que implementem políticas que criem um sistema justo para todos. É aliás necessário que façamos isto tudo e muito mais, porque senão a democracia das próximas gerações está em risco de falir.

BLOCO OLHÃO - Igor Gago