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A NECESSÁRIA REFORMULAÇÃO DOS PROJECTOS PARA A ZONA RIBEIRINHA

A NECESSÁRIA REFORMULAÇÃO DOS PROJECTOS

PARA A ZONA RIBEIRINHA

 

A “REQUALIFICAÇÃO” DA ZONA RIBEIRINHA DEVE RESPEITAR A IDENTIDADE ÚNICA E O MODO DE VIDA DO POVO DE OLHÃO

·     a nível das cotas e características do edificado

·     a nível das actividades e funções tradicionais (pesca, mercados, restauração e comércio tradicional, jardins e espaços de lazer e de sociabilidade)

·     a nível de uma oferta turística que respeite as mais recentes motivações para a viagem: conhecer o que é único e partilhar a cultura e o ambiente locais (cubismo, tradições e história,vivências quotidianas, paisagem e riqueza da ria formosa)

 

O BLOCO DE ESQUERDA DE OLHÃO tem denunciado e rejeitado (com apresentação de sugestões) as políticas impostas de segregação urbana para a zona ribeirinha (apropriação turística massificada e consequente “expulsão” de habitantes e utilizadores locais) que se expressam em projectos desajustados ligados aos interesses especulativos da indústria turística. Os projectos, que são estruturantes pois condicionam o futuro, são directa ou indirectamente protagonizados pelo poder camarário e pelas alianças dominantes (PS/PSD) e apresentados à autarquia e à população como dados consumados, evitando o debate democrático prévio e a auscultação das forças vivas locais e dos cidadãos

 

NÃO PODEMOS CONCORDAR COM POLÍTICAS URBANAS QUE AFASTAM AS PESSOAS E SE RENDEM AOS MERCADOS

a)       a proibição e restrições da circulação automóvel e do estacionamento criam obstáculos ao comércio da baixa, sobretudo às cargas/descargas e abastecimento dos mercados municipais (reconhecido pólo atractivo)

b)      o alargamento da marina e sua exploração para a zona central ribeirinha, assim como a permissão de construção de mais unidades hoteleiras, retratam uma aposta num turismo de massa mais que ultrapassado e com efeitos negativos para a qualidade de  vida e para o equilíbrio ambiental

c)       a reestruturação da estética dos jardins, transformando utilizações tradicionais (bancos, parque infantil e lago, canteiros de flores) em infraestruturas de lazer de receita uniforme (solários, equipamentos de ginástica de manutenção, pequenos bares amovíveis e esplanadas e porventura pequenas praias fluviais), afastará a apropriação popular e familiar, afectando o bem-estar e o lazer dos habitantes locais

 

O NOSSO FUTURO NÃO DEVE DEPENDER DE UM CRESCIMENTO EXÓGENO ASSENTE EM FLUTUAÇÕES DE INVESTIMENTO E DE PROCURA E QUE DESAPROVEITA AS POTENCIALIDADES DA ECONOMIA E DOS RECURSOS LOCAIS

·     porque não se aposta num desenvolvimento sustentado e relativamente autónomo, equilibrado do ponto de vista ambiental (riscos acrescidos de poluição da ria e de afectação dos seus recursos – perdas para a pesca artesanal e mariscagem, descaracterização da paisagem, problemas acrescidos de precariedade/exclusão laboral)

·     porque não se aposta nem se valoriza as pessoas (perda de identidade, desaproveitamento de mais-valias económicas, desigualdades no acesso ao bem-estar, consumo e lazer)

 

SUGESTÕES DO BLOCO

Centrar a intervenção na melhoria do lazer e da qualidade de vida das populações locais em articulação com políticas de incentivo à economia local (mercados de abastecimento, pesca artesanal, comércio tradicional, artesanato) e de investimento num turismo cultural e ecológico (amante da natureza, interessado na multiculturalidade, de alojamento local)

 

·     Alargamento de passeios sem interdição da circulação (lado norte dos mercados) e permissão do estacionamento no lado sul em função das necessidades dos operadores dos mercados; o possível congestionamento de tráfego na zona poderia ser em muito minorado pela utilização dos terrenos contínuos ao hotel ou à psp para parque de estacionamento arborizado e com condições apropriadas

·     Manutenção da paisagem da zona ribeirinha tradicional com os devidos melhoramentos (recuperação do jardim dos “patinhos” na linha da paisagem existente, melhorando e enquadrando funcionalidades – bilheteiras; postos de turismo náutico); reestruturação do jardim Pescador Olhanense com funcionalidades para animação e espectáculos e, porventura, com equipamentos de ginástica ou lazer; manutenção dos ancoradouros tradicionais; cumprimento das medidas de protecção das cotas do edificado e respectiva recuperação integrada, respeitando utilizações tradicionais ou viabilizando projectos de reconversão ajustados

·     Enquadramento da marina e da sua exploração na área ribeirinha fronteiriça ao hotel, possibilitando expansão para oeste, de dimensão adequada às características do meio e à defesa ambiental da ria formosa, o que permitiria paralelamente requalificar a paisagem existente (preservação de parte do sapal e da zona das salinas, actualmente sofrendo poluição evidente de lixeiras a céu aberto e de esgotos sem o devido tratamento)

 

POR UMA POLÍTICA DIFERENTE QUE DEFENDA AS POPULAÇÕES!!!