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Inquietação 2018

No passado Sábado, dia 14 de julho, decorreu a primeira edição da Inquietação. O dia começou com uma tertúlia sobre direitos LGBT+, onde participaram os coletivos Panteras Rosa e Associação Xis. Após uma breve introdução destas organizações à dezena de algarvios que se sentou para ouvir, conhecer e debater nesta atividade, a conversa fluiu para o tema das Marchas do Orgulho LGBT+. “Porquê e para quê?” foi a questão colocada sobre as marchas. Um dos representantes da Associação Xis começou por afirmar que em países como Portugal, onde os direitos básicos já são iguais para (quase) todos, a marcha deve ser utilizada como um meio de educação. De seguida, o representante das Panteras Rosa referiu que para percebermos porque razão é importante a marcha é necessário olhar para a sua história, e relembrar que as fíguras mais importantes no começo da marcha foram as mulheres transgénero, na rebelião de Stonewall. Para além deste tema ainda se discutiram matérias importantes como a solidariedade entre as pessoas e a indústria do sexo comercial no Algarve.

Quando esta atividade acabou já era hora de almoçar, mas a conversa aberta continuou mesmo durante a refeição, num tom mais ligeiro e pessoal. Após o almoço foi altura das Propinas Universitárias serem o tema principal, com a participação do movimento Cancela a Propina.  “As propinas são um direito democrático...”, começou por referir a representante deste movimento, “...foram abolidas no 25 de Abril, mas durante a década de 90 voltaram com o pretexto de justiça social” e acabou a sua intervenção dizendo que não existe justiça social num instrumento que restringe a entrada ao ensino superior para uma parte da população. A conversa seguiu, falaram-se dos enormes movimentos anti-propinas que sucederam na década de 90, do aumento exponencial de custo destas mesmas propinas e da crescente privatização que se observa hoje em dia no ensino superior.

De seguida, ocorreu a tertúlia com o tema mais esperado do dia, como se verificou pelo aumento do número de pessoas presentes. “As alterações climáticas não são negociáveis, se não fizermos nada nos próximos 5 ou 10 anos, vamos entrar no fim da civilização como a conhecemos” começou por referir o representante do coletivo Climáximo. Os furos de petróleo no Algarve foram uma constante neste debate e os representantes da PALP explicaram ponto por ponto as razões pelas quais nenhum de nós pode querer estes furos. “Os contratos dos furos são desastrosos, mesmo a nível económico, para o país. Portugal só começa a receber dinheiro depois da GALP e da ENI receberem os seus investimentos de volta”. A conversa acabou com uma mensagem para os sucessivos governos portugueses: “Não é racional que o país assine compromissos internacionais como o Acordo de Paris e depois vá assinar contratos de prospeção de petróleo”.

Finalmente, foi altura de trazer cultura ao Algarve com a apresentação do projeto Sororidade, da olhanense Catarina Calças. “Um projeto feito de pessoas. Estas pessoas são também mulheres. O conceito é simples e foca-se em duas questões centrais: quem são elas e o quão difícil é, para as mesmas, ser mulher? “ descrição feita pela própria. Assim foi a Inquietação em 2018, mas para quem não conseguiu aparecer prometemos trazer mais Inquietação para o próximo ano.