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BE ALERTA: QUE "NOVA ZONA RIBEIRINHA" PARA OLHÃO? LIQUIDAÇÃO DOS MERCADOS À VISTA?

Mercados - economia local e sociabilidade

INTRODUÇÃO

Para o poder autárquico de Olhão requalificar significa “multiplicar o potencial turístico” e “multiplicar o potencial turístico” significa sobretudo captar investimento e negócio a qualquer custo na perspetiva da oferta, esquecendo deliberadamente as novas motivações turísticas e toda a identidade histórica, modos de vida e interesses da população local e o seu bem-estar.  

A zona ribeirinha de Olhão é um alvo apetecível e cria-se a descontinuidade da intervenção para evitar toda a contestação e participação dos cidadãos no destino da cidade e na possível reversão daquilo que se assume erradamente como “mudança estrutural inevitável”. Só que a mudança poderá também ser involutiva e o bloco de olhão alerta para o novo grande facto – a criação de espaços urbanos segregados que se querem centrados na oferta de lazer para um pseudo-turismo ultrapassado, hoje, pelo contrário, interessado na interação cultural e na autenticidade. São as dificuldades criadas à continuidade da função dos mercados (circulação para abastecimento; entraves às cargas/descargas; problemas de estacionamento), nada incompatível com uma gestão adequada que permita também utilizar a marginal para passeio público e esplanadas; alargamento da função de marina e afastamento dos ancoradouros de pesca artesanal; transformação e possível construção de infraestruturas para o turismo, retirando espaços de lazer tradicional familiar (ex. parques infantis). 

 

FOLHETO

BLOCO DE ESQUERDA ALERTA…

- LIQUIDAÇÃO DOS MERCADOS À VISTA?

- REQUALIFICAR A ZONA RIBEIRINHA SIGNIFICARÁ DESTRUIR IDENTIDADES E MODOS DE VIDA LOCAIS?

 

Os mercados (praças) de Olhão, para além de cumprirem um importante papel na vida económica da cidade e na sua dinâmica social quotidiana, constituem o maior pólo de atração turística, seja pela arquitetura dos edifícios e pela paisagem envolvente, seja pelo conteúdo simbólico e de comércio de produtos sobretudo locais (ponto de encontro, de convívio e de abastecimento, potenciado pelo mercado de rua, aos sábados).

Seria então de pensar, que após todas as obras de recuperação e de modernização do histórico equipamento, se constituiria um núcleo atrativo daquilo que a Câmara chama “potencialização da zona ribeirinha” a requalificar…

TUDO INDICA QUE NÃO É ESSE O PLANO:

·        PS e PSD desde o início do mandato que pretendem acabar com a circulação automóvel no lado sul (lado do mar) dos mercados. Não querendo arcar com as responsabilidades dos efeitos que tal medida poderá provocar, lançaram mão de um expediente, o orçamento participativo. Com pouco mais de 200 votos “legitimam” aquilo que sempre foi a sua intenção.

·        As carrinhas dos operadores dos mercados são pontos de apoio à sua atividade económica. No caso do mercado do peixe a situação é mais complexa porquanto são, no essencial, carrinhas de caixas térmicas para manter o peixe com algum grau de frescura.

·        Ao sábado, os operadores do mercado de rua, oriundos tradicionalmente das freguesias rurais do concelho, se não puderem circular para descarregar os seus produtos agrícolas aos poucos irão desistindo dessa atividade

·        A agravar a situação coloca-se a requalificação, já aprovada, da Avenida 5 de Outubro em que se acaba com o estacionamento no lado norte (lado dos restaurantes) da avenida e que não é líquido que se mantenha com duas faixas de rodagem. Se ficar reduzida a uma única faixa, os operadores dos mercados serão forçados a dar quase a volta à cidade para retomarem os seus pertences. E quais as alternativas em termos de estacionamento?

·        Como pano de fundo os projetos desajustados (MERECEDORES DE CONTESTAÇÃO NA CM E ASSEMBLEIA PELA PARTE DO BLOCO) de quem não compreende as motivações turísticas atuais nem tão pouco elege a história local e as vivências dos habitantes como aspetos centrais da qualidade de vida e da forma particular de estar que nos fazem sentir bem e ser visitados: na zona marítima, substituir os pequenos ancoradouros locais (barcos da pesca tradicional e embarcações de transporte) por mais que saturadas marinas de efeitos duvidosos para o ambiente e para a paisagem; na zona dos jardins, criar infraestruturas de lazer para o turista, de receita uniforme, segregando o espaço e afastando as populações locais (nota: nos planos de reestruturação chega-se a eliminar os parques infantis existentes)

O SOMATÓRIO DESTAS DECISÕES PODERÁ CONDUZIR AO AFASTAMENTO DOS CIDADÃOS DOS MERCADOS E DA ZONA RIBEIRINHA, PERDENDO-SE A SUA DINÂMICA E O SEU SIGNIFICADO

O BLOCO DE ESQUERDA SEMPRE DEFENDEU E DEFENDERÁ OLHÃO!!!

 

ESTARÁ AO LADO DE TODOS OS OPERADORES DOS MERCADOS E DA POPULAÇÃO NA SUA LUTA E INDIGNAÇÃO!